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PERSISTÊNCIAS

CURADORA FRANCINE GOUDEL

EXPOSIÇÃO COLETIVA

"Persistências reúne a produção de artistas selecionados por meioda chamada pública do Projeto Cultural Joinville+Cult 2ª Edição, configurando um panorama das produções contemporâneas desenvolvidas sobretudo em Santa Catarina, atravessadas por diferentes linguagens, territórios, experiências e modos de elaboração sensível do presente.
Persistir é o verbo que dita o tom desta conjunção. Embora próximo da ideia de insistência, persistir distingue-se da simples repetição, implica reinvenção diante do desgaste, imaginação frente ao impasse, criação de estratégias para continuar elaborando aquilo que permanece em disputa. É sustentar um gesto mesmo em meio à instabilidade, fazer sobreviver imagens, corpos, afetos e narrativas diante das forças de apagamento, contenção ou colapso.
Os trabalhos aqui apresentados partem desse horizonte. Entre deslocamentos, ruínas, memórias, ancestralidades e fabulações, as obras investigam aquilo que persiste: identidades em construção, paisagens interiores, resíduos do progresso, espiritualidades, vínculos comunitários e experiências sensíveis ameaçadas pela normatização técnica e social.
Entre pinturas, instalações, vídeos, desenhos e objetos, a exposição articula práticas que transformam precariedade em invenção, ausência em construção simbólica e colapso em potência crítica.
Mais do que afirmar permanências estáveis, "Persistências" reúne artistas propositores de um exercício contínuo das sensibilidade diante do mundo."

Francine Goudel

Curadora

Captura de tela 2026-05-20 154421

ECO ZAZU

Eco Zazu nasce em 2018, criada por Allan Cardoso durante sua graduação em Artes Visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina.

Desde então, a drag assume o centro de suas ações e pesquisas artísticas, articulando sensibilidade, humor e fabulação na construção de sua identidade. Em A boneca que faltava, Eco protagoniza a cena central da instalação ligado a personagens do imaginário infantil. O trabalho parte de uma memória de infância, quando utilizava ursinhos da turma do Pooh como bonecas improvisadas, já que não podia tê-las. Ao revisitar conscientemente esse gesto inocente de desejo e invenção, infância e experiência drag se encontram em um alinhavo de fitas, imagens de memória e da identidade atual, aproximando a criatividade infantil da construção do presente. A instalação insere esse reencontro em um contínuo processo de invenção de si, onde corpo, afeto e imaginação tornam-se inseparáveis.

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A Boneca que faltava, 2025 - Instalação

Eco Zazu

A boneca que faltava, 2025

Instalação – pintura acrílica sobre tela, fotografia impressa em fine art e fitas de cetim

130 x 150 cm

ISABELLE MARIANA

Isabelle Mariana, natural de Lages e graduanda em Artes Visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis, tem no percurso frequente entre as cidades um dos eixos centrais de sua pesquisa.

Utilizando a pintura como linguagem primordial, a artista procura representar em diferentes suportes as sensações e percepções produzidas pelo deslocamento entre as paisagens. Sua investigação parte da observação do entorno: os verdes das montanhas da serra, os cinzas coloridos do céu, a atmosfera neblinosa, as visitas à praia e as relações de distância entre as coisas. A partir de registros fotográficos revisitados no ateliê, Isabelle constrói composições que dialogam com uma experiência contemplativa. Espaços vazios que conceituam a ausência, a gradação de tons rompidos que suscitam introspecção. Mais do que representação da paisagem, sua pintura parece elaborar um exercício contínuo de observação das transformações da natureza e dos estados interiores que nela se projetam.

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Um novo amanhecer desvanece, 2025 - óleo

Isabelle Mariana

Um novo amanhecer desvanece, 2025

Óleo sobre madeira

40 x 52 cm

Há mistérios na vida, 2025 - óleo s_made

Isabelle Mariana

Há mistérios na vida, 2025

Óleo sobre madeira

43 x 56 cm

Meio de viagem, solidão, 2025 - óleo s_t

Isabelle Mariana

Meio de viagem, solidão, 2025

Óleo sobre tela

80 x 60 cm

JAN M.O

Jan M.O desenvolve trabalhos em multimeios investigando as relações entre palavra e imagem, explorando semântica, som e engenharias visuais como modos de refletir sobre dimensões da vida pessoal e coletiva.

Realizada no interior da antiga Fábrica da Antárctica, em Joinville, a obra apresentada transforma um local marcado pela promessa de se tornar polo cultural em imagem de abandono e questionamento. Entre vestígios de projetos interrompidos e as ruínas do incêndio ocorrido em 2021, o artista e a pesquisadora Alena Marmo sustentam uma faixa com a palavra título da obra. O termo de 46 letras designa uma doença causada pela inalação de cinzas vulcânicas e opera como metáfora da contaminação simbólica provocada pela perda e deterioração do espaço cultural. A palavra é sustentada pelos pesquisadores, a imagem impressa em tecido sustentada por escoras metálicas. O arranjo da ação prolonga a fragilidade estrutural do campo das instituições de arte no Brasil, tentando manter de pé aquilo que está à beira do colapso.

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Pneumo Cidadela Antarctica - peq _ JanMO

Jan M.O Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico (Fábrica Antarctica), 2025/2026

Fotoperformance - fotografia impressa em tecido e escoras metálicas

72 x 120 cm Performers: Jan M.O e Alena Marmo

Registro: Gabriel Bazt

KARINE ABBATI

Karine Abbati desenvolve uma pesquisa atravessada por questões de gênero e idade, investigando como normas sociais moldam a presença dos corpos nos espaços coletivos, sejam eles físicos, simbólicos ou imaginados.

Trabalhando sobretudo com a pintura, a artista se apropria da tradição da técnica para construir o que denomina “pintura performática”: imagens encenadas que instauram estranhamento e deslocam modos habituais de ver e representar as existências. Nas obras aqui apresentadas, senhoras ocupam um espaço de fabulação como território de liberdade, atravessado por irreverência e crítica social. Historicamente associadas ao cuidado, à discrição e ao ambiente familiar, essas mulheres surgem em cenas que reivindicam autonomia. Karine desmonta os hábitos do olhar e desloca as convenções, compondo um efeito crítico que culmina em imagens que pensam outras possibilidades de presença, convivência e emancipação.

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Mulheres bebendo é feio, portanto, homens ficam em casa, 2024 - óleo s_tela - 110x90 cm.HE

Karine Abbati

Mulheres bebendo é feio, portanto, homens ficam em casa, 2024

Óleo sobre tela

110 x 90 cm

Uma e três peruas, 2026 - Óleo s_tela - 60x50 cm

Karine Abbati

Uma e três peruas, 2026
Óleo sobre tela 
50 x 60 cm

KETHLEN KOHL

Em sua prática artística, Kethlen Kohl articula experiências pessoais e profissionais em diferentes suportes e linguagens. Transitanto entre tecnologia, software, hardware, arte, música e história, a artista utiliza essas ferramentas não apenas como meios técnicos, mas como dispositivos de reflexão crítica sobre o presente.

Em Curie x Oppenheimer, imagens de raio X do próprio corpo tornam-se suporte para uma pintura que tensiona os usos do conhecimento científico e tecnológico. Sobre as transparências médicas, a trajetória de uma bomba atômica atravessa o corpo, aproximando visualmente cura e destruição. O público é convidado a participar da obra acionando um botão azul ou vermelho, referência direta às pílulas do filme The Matrix (1999). Cada escolha ilumina uma possibilidade: de um lado, a radioatividade como avanço da medicina, associada às pesquisas de Marie Curie; de outro, sua instrumentalização bélica na arquitetura letal concebida por J. Robert Oppenheimer. A obra transforma-se, assim, em um dilema ético acionado pelo próprio espectador.

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Curie X Oppenheimer, 2026 - Pintura inte

Kethlen Kohl

Curie X Oppenheimer, 2026

Pintura interativa

54 x 105 x 7 cm

MARCIA LEPAGE

Marcia Lepage é artista visual cuja trajetória atravessa o design, a moda e a direção de arte publicitária. No final da década de 1990, encontra no vidro o material que transforma profundamente sua produção artística, passando a desenvolver pesquisas entre o objeto utilitário e a escultura.

Por meio do fusing, técnica milenar que consiste na fusão e sobreposição de fragmentos de vidro submetidos a altas temperaturas, Marcia constrói trabalhos que exploram transparência, densidade, textura e tensão entre formas concretas e abstratas. Em Tema livre, o vidro aquecido molda-se às estruturas metálicas que, ao mesmo tempo, sustentam e aprisionam a obra. Grades, correntes e formas que evocam celas ou enforcadores instauram uma reflexão sobre os limites da liberdade individual e os mecanismos sociais que condicionam comportamentos e subjetividades. Entre fragilidade e resistência, delicadeza e ameaça, a escultura transforma materiais rígidos em metáforas das contradições humanas, eixo recorrente na pesquisa poética da artista.

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FUSING, 2024 - Tema Livre - VIDRO, METAL

Marcia Lapage

Tema Livre, 2024

Fusão de vidro (Fusing), metal e tinta

90 x 35 cm

MAURÍCIO IGOR

Mauricio Igor é artista que transita por diferentes mídias: fotografia, performance, vídeo, texto, intervenção urbana, instalação e pintura. Nascido e criado em Belém, no Pará, desenvolve uma produção que articula corpo e território, tensionando os movimentos de sua origem em diálogo com outras regiões do mundo. Em suas obras, o ventilador improvisado por gambiarras surge como símbolo de permanência, deslocamento e resistência. A partir da quebra de um objeto doméstico e de seu reparo improvisado, o artista inicia uma convocatória pública em bairros de sua cidade, reunindo ventiladores remendados e as histórias de quem os mantém funcionando. O que poderia representar precariedade transforma-se em gesto inventivo e estratégia de sobrevivência. Associado a auto represetação do corpo afro-amazônico em trânsito, o ventilador passa a operar como metáfora de tudo aquilo que continua circulando quando alguém se desloca: memórias, culturas, espiritualidades e modos de existir. Para Mauricio, quando um corpo amazônida parte, a Amazônia parte junto com ele.

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Vídeo-arte Compra-se ventiladores com ga
Lambe_edited

Maurício Igor 
Compra-se ventiladores com gambiarras e suas histórias, 2021-2022 
Vídeo-arte, 8'27" 
Lambes, 21 x 29,7 cm

ANDA CONTIGO, 2022 - ACRÍLICO S_COMPENSA

Maurício Igor 
Anda contigo, 2022 
Acrílica sobre compensado 
152 x 137 cm 

TAUAN GON

Tauan Gon é artista e arte-educador de origem mineira que atualmente vive e trabalha em Florianópolis.

Por meio de diferentes meios e linguagens, em práticas individuais e colaborativas, desenvolve uma investigação sensível sobre os regimes de representação do corpo negro, articulando questões da cultura, política, identidade e ancestralidade. Na série Mandinga, o artista elabora, através do desenho em carvão e procedimentos de decalque, um vocabulário visual orientado por perspectivas afrocentradas de pertencimento e memória. Figuras em perfil surgem atravessadas pelo ritmo, pelo rito e experiência. A repetição de silhuetas sugere o movimento do corpo reagindo ao som do tambor, enquanto o tronco mais estável alude a uma dança interiorizada, suspensa entre presença e transe. Elementos como o crânio hominídeo, objetos de práticas religiosas afro-brasileiras e a floração do dendezeiro evocam espiritualidade, morte e continuidade ancestral. Tauan Gon propõe um vocabulário visual em que o movimento se torna gesto de reescrita simbólica e afirmação da subjetividade afro-brasileira. 

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série ‘mandinga’ - desenho 3 carvão sobre papel. 70 x 50 cm. 2025

Tauan Gon 
Mandinga – desenho 3, 2025 
Carvão sobre papel 
70 x 50 cm 

série ‘mandinga’ - desenho 4 carvão sobre papel. 70 x 50 cm. 2025

Tauan Gon 
Mandinga – desenho 4, 2025 
Carvão sobre papel 
70 x 50 cm 

TIROTTI

Tirotti é artista visual que investiga as possibilidades de montagem e narrativa da imagem por meio do vídeo, da fotografia e da instalação. Utilizando materiais encontrados no entorno, desenvolve trabalhos que articulam dimensão social, construção poética e experimentação visual, tensionando o esgotamento das formas tradicionais de representação. Sua pesquisa desloca o olhar para os sentidos que emergem dos restos, das superfícies e dos vestígios produzidos pelo tempo, propondo reflexões sobre memória, matéria e colapso contemporâneo. Em Tempo aos Montes, fragmentos metálicos, ferrugens e sucatas erguem-se como uma montanha de resíduos industriais. O movimento vertical do vídeo percorre lentamente essa paisagem de acúmulos, revelando uma geografia marcada pelo desgaste. Entre a opacidade das estruturas corroídas, a presença humana aparece apenas como sombra refletida sobre o solo árido, um vestígio de uma humanidade que associou tecnologia à promessa de futuro. A videoinstalação transforma o acúmulo em estado de suspensão. Uma inflexão sobre o tempo, um intervalo que empilha silenciosamente as ruínas deixadas pelo progresso.

Tirotti
Tempo aos Montes,  2025 - Videoarte_edit

Tirotti 
Tempo aos Montes, 2025 
Videoinstalação, 1’30” 
275 x 110 cm 

ROGÉRIO NEGRÃO

Rogério Negrão é artista multimeio que investiga, ao longo de sua trajetória, as relações entre experiência humana, objetos e sistemas. Por meio de instalações e mecanismos visuais, desenvolve uma produção marcada pelo uso de analogias mecanicistas e de uma ironia sutil, buscando revelar estruturas padronizadas que atravessam comportamentos, crenças, hábitos e modos de pensar. Seus trabalhos habitam um estado simultaneamente contemplativo, poético e crítico, propondo reflexões sobre os modos como nos relacionamos com as lógicas de eficiência, previsibilidade e controle. Na série Humanos preferem máquinas, imagens de robôs de brinquedo dos anos 1950 e desenhos de patentes industriais são reorganizados em colagens digitais posteriormente impressas e atravessadas por intervenções aquareláveis. As composições evocam o fascínio moderno pela tecnologia e o conforto oferecido pela precisão mecânica. Em contraponto, manchas de água e tinta irrompem a superfície com formas instáveis e imprevisíveis. A obra tensiona a sedução da lógica técnica diante da dimensão sensível da experiência humana, interrogando aquilo que deixamos de perceber ao confiar excessivamente nas promessas da máquina.

rogerio negrao
HPM 1 Série Humanos Preferem Máquinas 2024 Colagem digital, impressão sobre papel algodão,

Rogério Negrão 
HPM 1, 2024
Série Humanos Preferem Máquinas 
Colagem digital, impressão sobre papel algodão, aquarela e nanquim 
32 x 50 cm 

HPM 3 Série Humanos Preferem Máquinas 2024 Colagem digital, impressão sobre papel algodão,

Rogério Negrão 
HPM 3, 2024
Série Humanos Preferem Máquinas 
Colagem digital, impressão sobre papel algodão, aquarela e nanquim 
32 x 50 cm 

HPM 9 Série Humanos Preferem Máquinas 2024 Colagem digital, impressão sobre papel algodão,

Rogério Negrão 
HPM 9, 2024 
Série Humanos Preferem Máquinas 
Colagem digital, impressão sobre papel algodão, aquarela e nanquim 
32 x 50 cm 

obra

Rogério Negrão 
HPM 10, 2024
Série Humanos Preferem Máquinas 
Colagem digital, impressão sobre papel algodão, aquarela e nanquim 
32 x 50 cm 

FICHA TÉCNICA DA EXPOSIÇÃO

Projeto: Joinville+CULT 2ª Edição

Título: Persistências

Curadoria: Francine Goudel

Artistas: Eco Zazu, Isabelle Mariana, Jan M.O, Karine Abbati, Kethlen Kohl, Marcia Lepage, Mauricio Igor, Rogério Negrão, Tauan Gon, Tirotti

Local: Galeria 33 Endereço: Rua Bento Gonçalves, 33 - Glória, Joinville/SC

Abertura: 23 de maio de 2026

Data de visitação: 23 de maio a 18 de julho de 2026

Realização: Cooperfilm Cine e Video

Patrocínio: Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura

 

Equipe técnica:

Jonatas da Silva (Transporte de obras)

Billy W Piana (Montagem)

Rubens Herbst (Assessor de Imprensa)

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Galeria 33 | CNPJ: 18.427.564/0001-70
Rua Bento Gonçalves, 33 Glória
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Tel: +55 (47)  997068105 (WhatsApp) 

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