Nada Irreal Existe

Galeria 33

11/02/2020 à 09/04/2020

Artista: Ricardo Kolb 

 
Ricardo Kolb | "O sacrifício desnecessário", 2017

Ricardo Kolb | "O sacrifício desnecessário", 2017

Ricardo Kolb  "Os dois usos do tempo"

Ricardo Kolb "Os dois usos do tempo"

Ricardo Kolb "Buscar e achar"

Ricardo Kolb "Buscar e achar"

Ricardo Kolb "As duas avaliações"

Ricardo Kolb "As duas avaliações"

Ricardo Kolb "Causa e Efeito"

Ricardo Kolb "Causa e Efeito"

Ricardo Kolb "Olhar para dentro"

Ricardo Kolb "Olhar para dentro"

Ricardo Kolb "Eu não preciso fazer nada"

Ricardo Kolb "Eu não preciso fazer nada"

Ricardo Kolb "O local de Encontro I"

Ricardo Kolb "O local de Encontro I"

Ricardo Kolb "O local de Encontro II"

Ricardo Kolb "O local de Encontro II"

Ricardo Kolb"O local de encontro III"

Ricardo Kolb"O local de encontro III"

Ricardo Kolb "O problema e a resposta"

Ricardo Kolb "O problema e a resposta"

Ricardo Kolb "Escolher outra vez"

Ricardo Kolb "Escolher outra vez"

Ricardo Kolb "O teste da verdade"

Ricardo Kolb "O teste da verdade"

 

EXPOSIÇÃO NADA IRREAL EXISTE | RICARDO KOLB

 

Você se nega a inexistir. E caso não seja assim, é irreal.

 

Árido, quase hostil, certamente agreste. Uma soturnez rígida. Traços de carvão lascado. Bem poucas curvas e nenhuma polidez. A fuligem habitual paira, densa, sobre os retângulos. A cor entra em breves intervalos de respiração, escorre pelas bordas ou atravessa, mas sem lastro na forma.

 

Espaços fragmentados, esboços de ambientes em tom escuro. Ricardo Kolb não faz qualquer convite. Se entrar, é por sua conta e risco. Não oferece lenitivo aos sentidos. Mas fornece o bisturi para autópsia de si. É preciso cortar a carne do nada até constatar a causa do irreal, esse sintoma que tanto agrada.

 

Nesse campo cultivado ao acaso, conflitam a raia das referências e o incriado. Não há espaço para atribuições da mente. O que surge será sempre por acaso, a súbita sintonia que surge e distingue-se, não por ser surpreendente, mas pela monotonia com a qual contrasta. Uma asfixia da imaginação.

 

Os números e letras podem ser a chave que hierarquiza, põe ordem, dá sentido e, por um instante, interrompem a queda no poço escuro. Você confia e sente girar o gancho da desossa entre as costelas. Pode doer. Mas há um barco e o leme, esse cajado que abre as águas do mar.

 

Ao embarcar, leia a advertência: “Abandona toda esperança, vós que entrais!”

Joel Gehlen