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CAMPO
ESPESSO
GUSTAVO SCHEIDT

Campo Espesso
Gustavo Scheidt
Curadoria
Francine Goudel
Abertura
25 de julho | 2026 | 19h
Visitação
25/07/2026 a 26/09/2026
de segunda a sexta
das 10h00 às 18h00
Galeria 33
47 99706-8105
Rua Bento Gonçalves 33B
Glória - Joinville - SC

Campo Espesso de Gustavo Scheidt
“Compreendo o ambiente onde dei os meus primeiros passos como uma das bases de lançamento da minha trajetória.” Antônio Bispo (A terra dá, a terra quer)
Toda pintura de paisagem carrega um campo espesso de delineação. O que ela mostra nunca é apenas o mundo que se projeta em imagem, mas uma perspectiva ampla, que resulta de uma compreensão sobre o tempo que alguém passou diante dele observando, somada aos séculos de elaboração da tradição dessa linguagem, a materialidade usada e as possibilidades autônomas e subjetivas do artista no presente. Gustavo Scheidt mensura essa espessura desde menino.
Artista nascido e criado em Petrolândia, Santa Catarina, entre campos e plantações, foi ali que aprendeu a se demorar na paisagem, a deixar que um horizonte em uma hora do dia fosse depositado em sua percepção antes de virar imagem. Alicerçado nas questões basilares da arte, no esmero da composição e das justaposições de cor, suas paisagens não descrevem o real, são feitas de lugares de lembrança, abrem profundidades, inventam atmosferas, como se o fazer representasse uma memória com temperatura própria.
Na materialidade, sustenta a herança clássica do ofício, com o uso da tela, da tinta a óleo, mas também passeia pela fortuna contemporânea, na ressignificação de suportes, na coleta de objetos significantes. Herdeiro também de uma espessura parental, é no cenário de origem que encontra a trama sobre a qual configura a camada que ajuda a adensar a percepção de sua pesquisa. A ráfia que estrutura as obras chega por circulação familiar, as sacas conduzidas pelos pais, que guardaram cebola e atravessaram lavouras, passam pelas mãos das irmãs, que costuram e alinhavam a trama da arte. Ao recebê-las, Gustavo não converte o material em símbolo, mas prolonga seu uso, acrescenta uma nova função.
A pintura entra, então, como quem participa de uma coletividade. Sobre essa urdidura, a cor opera como pensamento. Entre tons complementares que se tensionam à distância, por entre óxidos queimados e atmosferas construídas, o artista formula um cromatismo que é estudo da sua própria existência. Criar e olhar esses espaços interiores sugere um reentendimento de mundo e as paisagens de Gustavo Scheidt nos lembram disso, que uma imagem que persiste, e à qual a materialidade da arte dá condições de existência, é também uma forma de intuir a ideia de pertencimento.
Francine Goudel - Curadora
Sobre a Exposição
Nascido e criado em Petrolândia, entre campos e plantações do interior catarinense, Gustavo Scheidt aprendeu cedo a se demorar na paisagem, a deixar que um horizonte se depositasse na percepção antes de virar imagem. Em Campo Espesso, o artista apresenta uma gama de paisagens feitas em pinturas em tela e em ráfia, material que chega por circulação familiar. Nas sacas conduzidas pelos pais, que guardaram cebola e atravessaram lavouras, passando pelas mãos das irmãs, que costuram e alinhavam a trama da arte, Gustavo prolonga o uso da matéria, acrescenta uma nova função. Entre tons complementares que se tensionam, por entre óxidos queimados e atmosferas construídas, o artista compõe cenas que não descrevem o real, mas reinventam lugares de lembrança. Entre a herança clássica da pintura e a matéria vinda da relação coletiva familiar, Scheidt sugere que toda imagem que persiste é também um modo de ver o mundo e de pertencer.


Sobre Gustavo Scheidt
Nasceu em Petrolândia, na região do alto vale do Itajaí, em SC, e mora em Florianópolis - SC, é estudante de artes visuais na UDESC e atua como artista em Florianópolis desde 2021. Sua pesquisa é voltada para o campo da pintura e estudo da transformação e fragmentação da paisagem. Sua produção se estende entre tela, pintura objeto, instalação e intervenções urbanas; explorando os aspectos do sensível, do íntimo e do político da paisagem em que se está.

Sobre Francine Goudel

Francine Goudel é doutora em Artes Visuais, na linha de Teoria e História da Arte, pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), mestre em Estudos Avançados em História da Arte pela Universidade de Barcelona (UB), Espanha, pós-graduada em Gestão Cultural pela Universidade Nacional de Córdoba (UNC), Argentina, e licenciada em Artes Plásticas pela UDESC. Atualmente cursa graduação em Psicologia no Centro Universitário Cesusc (UNICESUSC) e realiza formação em psicanálise no Instituto Kleiniano de Psicanálise. Participa do grupo de pesquisa História da Arte: Imagem-Acontecimento (CNPq/UDESC) e é membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), instituição pela qual recebeu, em 2022, o Prêmio Gilda de Mello e Souza, destinado ao reconhecimento de críticos em início de carreira.
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