EXPOSIÇÃO
Pioneiros - Joinville em coletiva

Para celebrar o aniversário de 175 anos de Joinville, a Galeria 33 inaugura na próxima segunda-feira (09/03), às 19h, na Sala Arthouse, a exposição “Os Pioneiros - Joinville em Coletiva”. A mostra, que integra a programação do Joinville+Cult – 2ª Edição , é um convite ao público para revisitar um dos momentos mais importantes da história cultural da cidade: os 55 anos da lendária Primeira Coletiva de Artistas de Joinville, inaugurada em 8 de março de 1971.
Por quê se chama "Pioneiros - Joinville em coletiva"?
Com visitação aberta até 8 de maio de 2026 e curadoria de Katiana Machado e Rafael Lemos, a mostra vai além de uma celebração nostálgica. Ela investiga o cenário cultural e urbano de 1971, marcado pelo intenso processo de industrialização de Joinville e por uma escassez de espaços expositivos. Diante dessa realidade, a Primeira Coletiva nasceu de um esforço independente: um grupo de 11 jovens criadores decidiu agir de forma conjunta. O termo 'Coletiva', portanto, não surgiu como uma designação institucional, mas como um gesto político e estético, uma maneira de existir publicamente e reivindicar espaço à margem de apoios oficiais.


Como bem avalizou o historiador Apolinário Ternes nos primeiros catálogos do movimento na década de 1970, a ousadia daqueles artistas em fazer arte com a matéria-prima industrial ajudou a redefinir a identidade local. A iniciativa foi o estopim para que Joinville transcendesse a imagem estrita de polo manufatureiro, a "Manchester catarinense", para se firmar também como uma 'Terra da Arte'. Esse movimento histórico estabeleceu uma ponte entre a prática individual e a construção coletiva, abrindo caminho, anos depois, para a criação do Museu de Arte de Joinville (MAJ).
Participantes da Exposição
A exposição presta homenagem ao núcleo fundador irredutível do movimento, reunindo obras dos onze nomes que formaram os pilares das artes visuais na região: Albertina Ferraz Tuma, Antonio Mir, Edson Busch Machado, Hamilton Machado, Índio Negreiros da Costa, Luiz Henrique Schwanke, Maria Angelina Keller do Valle, Mário Avancini, Nilson Delai, Odil Campos e Victor Kursancew.
Transformada em uma plataforma anual de debate entre os séculos XX e XXI, a Coletiva deixou um legado que ultrapassa os acervos dos museus, lembrando ao público que a arte é, em sua essência, um ato de coragem, diálogo, construção coletiva e transformação social.
Albertina Tuma

Destacou-se nas artes visuais, na educação e na gestão cultural em Joinville. Pioneira no ensino, idealizou a Escolinha de Artes Infantis e sua obra plástica, focada em questões sociais, engloba xilogravura, desenho e escultura. Além da arte, foi fundamental na criação e coordenação do Festival de Dança de Joinville, consolidando a cidade no cenário cultural.
Edson Busch Machado

Reconhecido como um "operário da cultura", é figura central na modernização cultural de Santa Catarina. Como gestor, foi decisivo para a expansão do Festival de Dança e a vinda da Escola do Bolshoi para Joinville. Como artista visual e pesquisador, explora a figura humana, atuando também como curador-chefe do Instituto Internacional Juarez Machado.
Índio Negreiros da Costa
in memorian

Nascido em 1948, construiu uma sólida trajetória combinando arquitetura, artes plásticas e design. Participante da Primeira Coletiva em 1971, teve papel crucial na fundação do MAJ e da Associação de Artistas Plásticos (Aaplaj). Com dezenas de exposições no currículo, também atuou como professor e desenhou o primeiro escudo e uniforme do JEC.
Maria Angelina Keller do Valle
Antônio Mir
in memorian

Nascido na Espanha em 1950 e radicado no Brasil na infância, uniu a herança ibérica à vivência brasileira. Com participação na Bienal de São Paulo aos 23 anos, destacou-se por grandiosos murais em Joinville, além da pintura e escultura. Foi um dos idealizadores da Primeira Coletiva e do MAJ, deixando um legado de vigor e cores intensas.
Hamilton Machado
in memorian

Nascido em 1949, consagrou-se como um dos grandes mestres do desenho no estado. Com uma obra ligada ao Realismo Fantástico, explorou a complexidade do ser humano usando técnicas como bico-de-pena, aquarela e gravura. Além da vasta produção exibida no Brasil e no exterior, atuou por mais de duas décadas como inspirador professor de artes.
Luiz Henrique Schwanke
in memorian

Um dos artistas brasileiros mais premiados de sua geração, destacou-se por uma obra pautada na pesquisa e inovação. Transitou pelos desenhos clássicos, pelas pinturas conceituais (os perfis "linguarudos") e pelas instalações elétricas com luz. Com participação na Bienal de São Paulo, seu vasto legado de mais de três mil obras é referência nacional.
Mário Avancini
in memorian

Protagonista da arte moderna local, foi peça-chave na articulação política e cultural que originou a Primeira Coletiva em 1971. Defensora do associativismo, acreditava na arte como construção coletiva e integrou grupos em Florianópolis para fortalecer a presença feminina nas artes.
Nilson Delai

Com mais de cinco décadas de atuação, consolidou seu nome tanto nas artes visuais quanto na arquitetura de Santa Catarina. Sua produção plástica é marcada por uma linguagem contemporânea e expressiva, exibida no Brasil e no exterior. No seu estúdio de arquitetura, projeta obras que harmonizam perfeitamente a visão artística e o espaço urbano.
Nascido em 1926, encontrou na pedra a sua grande forma de expressão artística, técnica aperfeiçoada desde a juventude trabalhando em pedreiras. Radicado em Joinville, onde também atuou como calceteiro, superou adversidades para esculpir obras monumentais. Uniu seu talento à rusticidade da pedra, transformando-a em pura sensibilidade.
Odil Campos

Ocupa um lugar de destaque nas artes visuais catarinenses, sendo um dos pioneiros da Primeira Coletiva em 1971. Sua atuação militante e organizada foi essencial para reivindicar espaço institucional e pressionar a criação do MAJ. Presente nas transformações estéticas da região, seu legado vive na estruturação profissional da cena artística local.
Victor Kursancew
in memorian

Nascido na antiga União Soviética em 1919, imigrou para o Brasil após a guerra e estabeleceu-se em Joinville. Artista versátil e autodidata, dominou desde o corte da pedra até a pintura em aquarela, carvão e óleo. Contribuiu profundamente para a formação de novos talentos como professor, sendo lembrado por sua dedicação inabalável à arte.
Curadores da Exposição
Katiana Machado

Katiana Machado é produtora cultural e executiva de projetos em Santa Catarina e atua desde de 2017 junto à Galeria 33 em Joinville. Mestra em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (CEART-UDESC) e Arquiteta Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela SOCIESC - em 2012. Realizou uma residência artística em Nova York entre 2014 e 2016 participando de workshops e atividades relacionadas à curadoria de artes plásticas.
Rafael Mendes Lemos

Rafael Mendes Lemos, natural de Tubarão, é artista visual, pesquisador e arte-educador radicado em Joinville. Graduado em Artes Visuais, desenvolve sua prática entre memória urbana e visualidades contemporâneas. Desde outubro de 2024, é artista filiado à Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ).
Sua produção dialoga com temas como distorção, espaço, estrutura da percepção e camadas simbólicas da cidade, além de manter uma atuação ativa na cena cultural joinvilense por meio de projetos, mediações e ações educativas.
